Primeiro paciente de Mato Grosso recebe polilaminina e pode voltar a andar: Kawan Soares, de 21 anos, é pioneiro no estado
Rondonópolis, MT – Kawan Soares, de 21 anos, morador de Rondonópolis (218 km de Cuiabá), tornou-se um símbolo de esperança para pessoas com lesões medulares em Mato Grosso. Após sofrer um grave acidente de moto em novembro de 2025, que resultou na perda total dos movimentos das pernas, Kawan foi o primeiro paciente do estado a receber o tratamento experimental com polilaminina, uma proteína desenvolvida pela bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O procedimento foi realizado recentemente no Hospital Regional de Rondonópolis e durou cerca de 50 minutos. Kawan é o 28º paciente no Brasil a participar dos estudos clínicos com a substância, que ainda está em fase experimental e tem autorização da Anvisa para testes de segurança e eficácia em casos de trauma raquimedular.
A polilaminina é uma molécula sintética inspirada na laminina — uma proteína naturalmente produzida pelo corpo humano, especialmente importante durante o desenvolvimento embrionário para conectar neurônios. Desenvolvida ao longo de quase 30 anos no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, a polilaminina atua como uma espécie de "andaime biológico" na região lesionada da medula espinhal. Aplicada diretamente no local do trauma, ela estimula a regeneração neural, reconectando circuitos nervosos danificados e possibilitando a recuperação parcial ou total de movimentos e sensibilidade.
Tatiana Sampaio, que coordena o projeto em parceria com o laboratório Cristália, já divulgou resultados preliminares promissores em estudos anteriores. Em testes com voluntários, alguns pacientes com paraplegia ou tetraplegia apresentaram recuperação significativa de funções motoras — um avanço considerado inédito pela comunidade científica. A pesquisadora enfatiza que os resultados variam conforme o tempo da lesão, a gravidade e a resposta individual, mas reforça: "O esperado é que funcione, e os dados iniciais são animadores".
Para Kawan, o tratamento representa uma chance de voltar à vida como antes do acidente. "Quero voltar como antes", disse o jovem em depoimento recente à imprensa local, expressando otimismo e determinação durante o processo de reabilitação que se inicia agora.
Embora a polilaminina ainda não seja um tratamento aprovado para uso geral — os estudos estão na fase 1/2, focados em segurança e eficácia inicial —, casos como o de Kawan reforçam o potencial da ciência brasileira para transformar o futuro de milhares de pessoas com lesões medulares irreversíveis até então.
A equipe médica acompanha Kawan de perto nos próximos meses, com avaliações periódicas para monitorar possíveis avanços na mobilidade e sensibilidade. Mato Grosso entra assim no mapa das histórias de superação ligadas à polilaminina, um marco na pesquisa nacional em neuroregeneração.



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