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Cuiabá,05/03/2026

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Dinheiro pra conseguir que chegue água nas torneiras não tem, mas pra shows nacionais no aniversário de Várzea Grande tem

Enquanto bairros seguem com racionamento e torneiras secas, prefeitura planeja festa com artistas como Natanzinho Lima, Lauana Prado e Simone Mendes para celebrar os 159 anos da cidade


Dinheiro pra conseguir que chegue água nas torneiras não tem, mas pra shows nacionais no aniversário de Várzea Grande tem

Enquanto bairros seguem com racionamento e torneiras secas, prefeitura planeja festa com artistas como Natanzinho Lima, Lauana Prado e Simone Mendes para celebrar os 159 anos da cidade


A população de Várzea Grande continua enfrentando um dos problemas mais antigos e graves da cidade: a falta de água nas torneiras. Relatos de bairros inteiros sem abastecimento por dias, reservatórios operando no limite e perdas de até 45% na distribuição da água tratada são rotina há anos – e 2026 começou exatamente igual.

Moradores rodam a cidade atrás de carro-pipa, compram água mineral para consumo básico e convivem com a frustração de pagar contas em dia de um serviço que não chega. A crise hídrica, agravada por redes antigas, vazamentos constantes e falta de investimentos consistentes no Departamento de Água e Esgoto (DAE), foi reconhecida pela própria prefeita Flávia Moretti (PL) em diversas ocasiões. Em 2025, a gestão chegou a decretar medidas emergenciais, pediu recursos ao Estado e chegou a discutir privatização, mas a normalização do abastecimento segue distante.

No entanto, enquanto o “sonho do várzea-grandense é ter água sempre na torneira” (palavras da própria prefeita em novembro de 2025), a administração municipal prepara uma grande festa para o aniversário de 159 anos da cidade, em 15 de maio de 2026. Segundo apurações publicadas por veículos como Olhar Conceito e Olhar Direto, a prefeita Flávia Moretti planeja shows com atrações nacionais de peso: os nomes mais cotados são Natanzinho Lima, Lauana Prado e Simone Mendes.

O evento seria gratuito para o público em geral, com possibilidade de venda de camarotes para ajudar na arrecadação, mas ainda sem local definido. A programação exata e os valores dos cachês não foram oficialmente confirmados pela prefeitura até o momento.

O contraste gera revolta entre parte da população. Nas redes sociais, comentários questionam: “E água você vê depois?”, “Várzea Grande não precisa de show, precisa de água na torneira” e “Enquanto isso, cadê a água?”. Em 2025, a própria gestão cancelou planos de shows no aniversário alegando prioridades como a crise financeira e hídrica – o que torna o anúncio atual ainda mais polêmico.

Eventos semelhantes em Mato Grosso e em outras cidades do interior mostram que cachês de artistas desse porte costumam variar entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão por apresentação (como visto em contratações recentes em Sorriso e Várzea Alegre). Se confirmados três shows nacionais, o investimento público pode facilmente ultrapassar R$ 2 milhões – valor que, para muitos moradores, poderia ser direcionado a obras urgentes no sistema de abastecimento, como substituição de redes, redução de perdas e ampliação de ETA's.

A prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre o orçamento da festa nem sobre como conciliar os gastos com as demandas prioritárias de saneamento básico. A reportagem aguarda posicionamento oficial da administração.

Enquanto a data se aproxima, a pergunta que fica no ar é simples: em Várzea Grande, o que comemora mais aniversário – a fundação da cidade ou a promessa de água encanada que nunca chega?





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