Horácio Pereira larga a Comissão de Saúde quando a crise bate à porta
A decisão do vereador Horácio Pereira (Republicanos) de deixar a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Tangará da Serra (MT) tem gerado questionamentos e críticas por parte da população e de observadores políticos locais. A saída ocorre em um momento delicado para o setor de saúde no município, marcado por denúncias, superlotação em unidades como a UPA, questionamentos sobre contratos e serviços laboratoriais, além de pedidos de investigação – inclusive com requerimentos de CPI propostos pelo próprio parlamentar em datas recentes.
A principal atribuição de um vereador é a fiscalização do poder executivo, especialmente em áreas sensíveis como a saúde pública. A Comissão de Saúde, Assistência Social e Cidadania tem exatamente essa função: acompanhar contratos, analisar pagamentos, cobrar explicações da gestão municipal e garantir que a população receba atendimento digno e de qualidade.
No entanto, o abandono da comissão justamente quando os problemas na saúde de Tangará da Serra se intensificam – com relatos de caos no atendimento, suspeitas de irregularidades em exames laboratoriais e demandas por maior transparência – transmite uma impressão negativa. Para muitos, a atitude sugere **incompetência** ou incapacidade para exercer a fiscalização de forma efetiva e contínua.
Se os problemas na saúde chegaram ao ponto atual, parte da responsabilidade recai sobre quem deveria estar acompanhando, cobrando e investigando permanentemente. Sair da comissão não resolve as dificuldades enfrentadas pela população – filas intermináveis, falta de estrutura e atendimento precário – e tampouco ajuda a pressionar por melhorias concretas.
A atitude acaba passando a sensação de fuga de responsabilidade, exatamente quando a sociedade mais precisa de vereadores firmes, corajosos e comprometidos com a defesa do dinheiro público e com a solução dos problemas do município. A saúde é uma área prioritária e sensível, que exige presença ativa, não afastamento.
Fiscalizar não significa abandonar o posto quando surgem as dificuldades, nem se limitar a publicações em redes sociais ou “videozinhos”. Fiscalizar é estar presente nos locais, participar das comissões, cobrar respostas oficiais, protocolar requerimentos consistentes e buscar resultados reais – algo que, segundo críticos, não tem sido observado de forma suficiente nesse caso.
O povo de Tangará da Serra espera de seus representantes coragem para enfrentar os problemas de frente, responsabilidade com os recursos públicos e compromisso genuíno com a melhoria da qualidade de vida, especialmente na saúde. Abandonar a Comissão de Saúde em meio à crise não parece alinhado com essas expectativas.
A população acompanha atentamente e cobra posicionamentos claros. O momento exige vereadores que permaneçam na linha de frente da fiscalização, e não que se afastem quando o desafio aumenta.





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