Caso Moretto: MPMT abre procedimento por possível conflito de interesses em licitação milionária
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) anunciou que tomou conhecimento dos fatos por meio da repercussão na mídia sobre um vídeo que flagrou o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) aparentemente comemorando o resultado de uma licitação milionária. A partir disso, o órgão instaurou um procedimento na esfera cível para apurar possíveis irregularidades.
Além disso, o MPMT solicitou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) a abertura de investigação também na esfera criminal, visando examinar indícios de crimes como conflito de interesses, improbidade administrativa ou outros delitos relacionados ao uso indevido de cargo público em benefício próprio ou de terceiros.
O caso ganhou destaque após a divulgação de um vídeo gravado durante uma cerimônia oficial do governo estadual, na terça-feira (17 de março de 2026), em Pontes e Lacerda (a cerca de 483 km de Cuiabá). No evento, que marcou a assinatura da ordem de serviço para obras de infraestrutura — incluindo a construção do Hospital Estadual do Sudoeste Mato-grossense —, com investimentos totais de aproximadamente R$ 249,9 milhões, o deputado foi captado com o microfone ainda aberto.
Na gravação, Moretto aparece em conversa com o governador **Mauro Mendes (União) e afirma, em tom de comemoração: “Duas, a Agrimat e uma a minha” (ou variações como “uma é a minha e meu irmão”, conforme algumas reportagens), referindo-se às empresas vencedoras das licitações. Ele ainda complementa com “Tá autorizado!”. O pacote inclui obras de pavimentação asfáltica, construção de ponte e o hospital, com valor estimado em torno de R$ 160-200 milhões apenas para a unidade de saúde.
A fala gerou imediata repercussão nas redes sociais e na imprensa, com questionamentos sobre possível conflito de interesses — uma vez que a legislação veda a parlamentares em exercício manterem contratos ou sociedades que prestem serviços ao poder público. Moretto, por meio de sua assessoria, classificou a expressão como um “vício de linguagem”, alegando que fundou empresa no setor de construção civil, mas encerrou sua participação societária em novembro de 2018, antes de assumir o mandato. A defesa sustenta que os processos licitatórios seguiram critérios técnicos e legais.
O irmão do deputado, Glenio Moretto, é empresário do ramo e dono da Oeste Construtora (razão social Construtora Nossa Senhora do Carmo), que já recebeu cerca de R$ 199 milhões em contratos com o governo de Mato Grosso desde 2022, especialmente na região oeste do estado — reduto eleitoral de Valmir Moretto. Glenio já foi alvo de investigações anteriores, incluindo a Operação Trapaça em 2019.
Diante da polêmica, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio de seu presidente Max Russi (PSB), defendeu que eventuais apurações sejam conduzidas com responsabilidade, sem julgamentos antecipados, e com resultados apresentados à população. O deputado oposicionista Valdir Barranco (PT) apresentou requerimento cobrando informações detalhadas do governador sobre o caso.
O episódio agora avança em duas frentes paralelas:
- Esfera cível → procedimento instaurado pelo MPMT para investigar improbidade administrativa e danos ao erário;
- Esfera criminal → pedido de investigação formal junto ao TJMT, que pode resultar na instauração de inquérito policial ou ação penal, dependendo dos elementos colhidos.
O Ministério Público reforça que atua com base na repercussão midiática e aguarda elementos adicionais para aprofundar as diligências, garantindo a transparência e a lisura das licitações públicas em Mato Grosso. O caso segue em acompanhamento e pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias.






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