Em depoimento à CPI, Taques acusa Banco Master de fraudar servidores e beneficiar aliados de Mauro Mendes
O ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques acusou o Banco Master de comandar fraudes em crédito consignado no estado e de transferir R$ 308 milhões de devolução de impostos para empresas ligadas a aliados do governador Mauro Mendes.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (25), Taques afirmou que o banco coordenava uma rede de instituições que induziam servidores a assinarem contratos, com juros de até 5% ao mês. Segundo ele, 45 mil servidores têm consignados em empresas satélites do Master, muitos com até 60% da renda comprometida e múltiplos contratos.
O ex-governador citou 14 instituições que teriam vendido direitos de recebíveis ao Banco Master, que os revendia ao BRB por valor inflado. Uma única instituição chegou a cobrar quase R$ 150 milhões dos servidores em nove meses.
Taques também denunciou que valores de restituição de impostos da operadora Oi foram direcionados a dois fundos geridos pelo Banco Master (Royal Capital e Lotte World) e repassados a empresas de familiares e aliados de Mauro Mendes. Ele classificou os fundos como uma “Disneylândia para lavagem de dinheiro”.
Senadores mato-grossenses questionaram o depoimento, lembrando o contexto político entre Taques e Mendes, ambos pré-candidatos ao Senado. A senadora Margareth Buzetti perguntou se havia “mágoa” pela derrota nas eleições, enquanto o senador Wellington Fagundes criticou a velocidade da investigação de Taques.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o esquema atingiu pelo menos 23 estados e mais de 160 prefeituras, com comprometimento insustentável da renda dos servidores.
O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), registrou a ausência da depoente Martha Graeff, que pode ser alvo de condução coercitiva.






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